A vida termina sim, e ponto.

timidez, introversão, vida, pensamento

Essa semana, depois da morte de Domingos Montagner fiquei navegando pela dor das pessoas, inclusive da minha, me perguntando: porque sofremos pela morte de alguém que não era próximo, simples e unicamente um ator que vemos algumas vezes na tela de nossa TV? Porque não controlamos nossas lágrimas quando vemos suas últimas risadas em flashes filmados horas antes de sua morte?

Então me dei conta que a dor não é apenas pela morte desse ator, que de fato era um ser humano incrível, mas também porque nos refletimos em seu fim emblemático. Sofremos, pois quando uma pessoa é levada, literalmente, pelas forças da natureza, sem aviso prévio, sem um suspiro de vento que indique isso, lembramos como a vida de cada um de nós é frágil. Ela é efêmera sim, apenas não acordamos lembrando disso. E aí vem o noticiário da tarde para trazer à tona todo esse sentimento de impermanência que nos rodeia.

Não choramos apenas a morte do ator Domingos, choramos pela morte de nossas ações, pelos “sim” contrariado que dizemos para uma rotina que não nos faz feliz, pela indecisão do melhor caminho, pelos momentos adiados em função do medo ou da falta de tempo. Choramos pelas escolhas que não fizemos, pela negligência com nossa própria felicidade. Dói quando vemos uma pessoa de coração grande ir embora assim, às pressas, porque lembramos que nosso coração grande não será suficiente para nos mantermos aqui. E isso quer dizer que a vida não tem paciência com as dúvidas, com as lágrimas que rolam na fraqueza de não sermos quem somos, com a procrastinação, sempre achando que o amanhã está garantido.

Essa morte nos lembrou que não importa quão bons somos, nem o tamanho de nosso coração, quando chega o fim, ele vem de qualquer forma, de qualquer maneira, pela mão mais poderosa que existe. E lembrou também, que não podemos nos matar todos os dias, vivendo uma vida que não nos completa, que não traz felicidade para perto da gente.

Dói se refazer, eu sei. Mas a vida é isso: a dor constante de se refazer. Que façamos dessas lágrimas, que insistiram em vir num comboio, nossa força para acordar e fazer o que precisamos fazer, viver inteiramente essa vida, a nossa vida. Pois quando ela termina, só resta colocar um ponto final.

 

Juliana Emer

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